MARCHETARIA

 

Arte de montar, incrustar, embutir ou aplicar peças recortadas usando suas cores e veios e seus desenhos naturais, formando figuras ou desenhos geométricos.

 Utiliza-se, para este trabalho, madeira laminada ou em blocos, de coloração natural ou artificial, e também diferentes materiais como osso, madrepérola, metais, palha, além de alguns artistas utilizarem a técnica da pirogravura (arte de desenhar com pontas incandescentes).

 Os primeiros trabalhos de incrustrações verifica-se no Egito, 3.000 a.C. , sendo encontradas peças com detalhes em pedras, incrustradas com filete de metal.

 Muito tempo depois, a Marchetaria renasce na Itália, com o nome de Intarsia, durante o Império Romano, e a primeira técnica utilizada foi a Tarsia Certosina, que consiste em incrustrar ou embutir em uma placa de madeira maciça, ossos, madrepérola e outros diferentes tipos de madeira, formando um desenho ou painel.

 No final XIV, painéis passam a decorar o interior das catedrais da Toscana, no norte da Itália.

 Esses Painéis foram construídos com lâminas de 0,3 e 0,4 mm de espessura, contendo figuras de santos e descrevendo cenas bíblicas. Nessa época, também teve origem uma nova técnica que foi chamada de Társia Geométrica e ou Linear.

 No século XV, numerosas cidades da Itália já praticavam essa arte, em especial Florença. Surge então a escola Florentina de Marchetaria, fundada por Francesco di Giovanni di Mateo.

Entre seus discípulos estão os irmãos Giuliano e Benedetto da Maiano (1444 - 1496), sendo este último considerado o inventor da marchetaria atual. É ele quem aperfeiçoa o processo da Tarsia Geométrica, criando efeitos de pintura e perspectiva.

 Da segunda metade do século XVII, os flamengos e alemães se igualaram aos italianos em técnica e arte. Já na França, ela desenvolveu-se no século XVII com Andre-Charles Boulle (1642-1723), que substitui a madeira por madrepérola.

 Em 1760, Jean-François Oeben (1712-1763), com o título de Marceneiro do Rei, constrói a pedido do Rei Luís XV (1723-1774), um "bereu" (hoje "bureau") de trabalho (escrivaninha) medindo 1,60 de largura, 1,40 de altura e 0,98 de profundidade. Oeben inicia os trabalhos, mas com sua morte em 1763, o "bereu" é finalizado por Jean-Henri Riesener (1734-1806), que o terminou em 1769.

Foram 9 anos de trabalho, empregando os mais variados especialistas em marcenaria, escultura, fundição, etc.Tudo isso por um custo de 62.775 livres (moeda da época).

Atualmente, esta obra de arte encontra-se conservada  e exposta no museu do Palácio de Versalhes.

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